Comida Não é Cigarro

Sob este mesmo título, um artigo publicado pelo Conselho Americano Sobre Ciência e Saúde tenta mostrar as principais diferenças existentes entre alimentos e o tabaco. O artigo aponta os contrastes entre ambos em termo dos papéis das suas substâncias na saúde, bem como a interação com fatores de risco para doenças.
Segundo o artigo, os cigarros são os únicos entre os produtos para consumo que são mortais quando usados intencionalmente. Eles aumentam o risco individual para numerosos e sérios problemas de saúde, incluindo aterosclerose, doenças pulmonares e muitos tipos de câncer. A soma das principais causas de morte nos Estados Unidos (abuso do álcool, abuso de drogas, AIDS, acidente de trânsito, homicídio e suicídio) contabiliza apenas a metade do número de mortes (cerca de 440 mil por ano) por causa do fumo. Não há nível seguro para fumar. Mesmo poucos cigarros por dia ou o fumo ocasional tem mostrado aumentar o riscos para a saúde.

Alimentos, por outro lado, são essenciais para a vida. Eles provêm energia e nutrientes necessários para crescimento e sobrevivência. Os alimentos podem certamente apresentar riscos quando se faz mau uso, mas são benéficos quando usados adequadamente – em quantidades apropriadas e como parte de uma dieta balanceada.Os alimentos podem ser desejáveis em um contexto e indesejáveis em outro. Em países desenvolvidos, onde alimentos estão disponíveis em abundância e muitas pessoas são sedentárias, alimentos que são particularmente ricos em calorias são indesejáveis; os mesmo alimentos podem ser considerados extremamente desejáveis quando pessoas não têm muito para comer.

Estas diferenças entre o fumo e o alimento são significantes não somente fisiologicamente, mas também legalmente. A lei distingue entre necessidades e luxúrias e entre produtos que sustentam a vida ou aliviam a dor e sofrimento versus aqueles que provém prazer.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, cerca de 30% dos adultos e 16% das crianças em idade escolar e adolescentes são obesos. A obesidade pode agravar uma série de problemas de saúde, como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.

Devido a muitos fatores que podem contribuir para a obesidade, fica difícil dizer com certeza que o modelo de alimentação individual foi o fator causal da doença. Assim, provar que uma cadeia de fast food ou outra companhia na indústria de alimentos foi responsável por um caso de obesidade é muito mais difícil que provar que uma indústria de cigarro foi responsável por um caso de câncer de pulmão.

As perguntas que ficam após ler o artigo são: por que a lei do cigarro não apresenta o mesmo para a lei da obesidade? Por que as pessoas que apresentam doenças relacionadas com a obesidade têm muito mais dificuldade de ganhar ações judiciais que pessoas com doenças relacionadas ao cigarro? Se colocarmos a “culpa” na indústria de tabaco quando uma pessoa morre de câncer de pulmão, a quem culpar quando outra morre em decorrência de problemas da obesidade? Pare e pense!

Esta coluna foi publicada em 05/08/2006, no Jornal da Região (MG). Autora: Márcia Keller Alves
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